sexta-feira, 7 de junho de 2013


Acho que sonhei.
Juliana tinha flores no lugar dos dentes.
As borboletas azuis e amarelas pousavam, e ela
Predadora!
Uma fusão de cores salivava no lábio da menina
faminta por possuir
algo alguma
coisa
Insaciável
como eu
borboleteando à procura de vinho, cigarros e bocas
Dançando
perdida em alguma noite dessas, há
milhares de anos atrás
bons tempos em que
na ponta da língua eu salvava vidas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Juliana soltou.
Juliana soltou as tranças.
Juliana soltou meus braços,
e saltou.
Juliana saltou no mundo,
saltitante.
Juliana saltou das nuvens do céu,
e sentou,
no meu colo sem sal.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Meus lábios inchados de vinho pareciam lamentar. Mas era só impressão.
- Goles pequenos fazem durar mais. Dedos entorpecidos não conseguem digitar.
E assim Juliana soluçava, balançando o dedinho e dançando o “blue” pra lá e pra cá.
-Fazendo beiço!
Eu girava o pulso na frente do papel, toda oferecida.
-Não tem ninguém aí...
O papel é amante. E a tela do computador tem marca de batom todo sábado de manhã.

terça-feira, 2 de abril de 2013


O amor da minha vida estava demorando para ligar e eu me botei ansiosa.
Balançava as pernas que nem Juliana balança as pernas.
Juliana, criança marota, segurava o meu amor na mãozinha cerrada.
- Esse não escapa.

domingo, 24 de março de 2013

Juliana segurava uma taça de Pinot Noir cheia de intenção quando eu a interroguei.
- Você não é criança demais para estar bebendo?
-Eu era – Ela disse - Mas você me cresceu.
Tomei a taça dela e virei num gole só. Sozinha.
A garotinha, agora se sentindo sem identidade, veio deitar a cabeça no meu colo:
- Não sei quem eu sou. Só vim te lembrar de você.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Juliana encontrou um sapo. Seus olhos foram roubados por um gato, por isso ele não enxerga muito bem. E é por isso também que ele é meio paranóico. Constantemente ele jura estar sendo atacado. É meio arisco, mas é de estimação agora.
Dia desses, nós passeávamos com ele numa linda coleirinha de cetim, quando demos de cara com uma criança (uma criança real).
- Oi – Ela disse. E então Juliana também disse “oi” e eu fiquei parada assistindo aquele entrosamento. Tão parada que comecei a levitar para longe como um balão.
Elas não precisavam de mim. A imaginação de Juliana dava conta de tudo.
Quando meu balão de alienação acidental explodiu no céu, voltei com os pés para o gramado lamacento, e dei de cara com a criança real, que sorria, que doía, que sonhava, que precisava de um guia, e que me apavorou. Ela segurava o sapo no colo (contrariado, mas maquiado como uma bonequinha).
Juliana, a criança, e o sapo partiram em suas brincadeiras. Eu fiquei me perguntando o que deveria fazer. Juliana se virou para mim e disse:
- Agora nós vamos salvá-lo.
Ela o colocou no chão, desatou o nó e o sapo se foi, nadando riozinho abaixo, como um cachorrinho.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Juliana escovava meu cabelo, pois eu não tinha vontade.
Ela fazia e desfazia uma porção de penteados cheia de inspiração, e eu sem.
Eu sem qualquer coisa.
- Prefiro o seu cabelo assim - Ela dizia, cercando a minha cabeça com presilhas.
- Eu me sinto infantil - Eu disse, me olhando no espelho.
Era certo que Juliana passaria em meus lábios um batom vermelho-gritante.
(Mesmo que eu não quisesse).
Então fugi e deitei na cama em silêncio, fazendo de conta que dormia.
Fazendo de conta que se eu ficasse bastante tempo ali o lençol me engoliria.
E eu não precisaria brincar de mais nada.
Mas uma criança não se deixa enganar. Sentada a meus pés, ela lamentava:
- Você não quer mais. Você enjoou.