sábado, 30 de junho de 2007

Juliana mexia onde não devia, quando deixou cair no chão uma saboneteira em forma de coração.
Ela recolhia os pedaços com decepção. E pensaria em como os seus pais ficariam brabos se não fosse órfã.
A orfandade de Juliana é maneira de dizer, ela está apenas separada deles.
Foi separada de seu convívio prematuramente, e vive longe de sua família.
Juliana não existe, mas em frente a sua morada coberta por folhas há uma placa dizendo que sim.
Ficamos amigas, quando um dia ao passar, decidi para ela fazer um jardim.
Ela me falou da sua solidão e eu contei para ela o que eu sabia da vida.
Ela tinha uma curiosidade imensa em saber como funcionava. Afinal, o que há de se fazer! Bem, porque, deveria de ter um propósito essa coisa toda não?
Ela me espiava da janela, indo e vindo indo e vindo, e como vizinha atenciosa queria saber o que eu estava fazendo.
Vivendo, oras, eu respondi.
Pela sua percepção aguçada, Juliana achava aquilo muito divertido. Várias vezes peguei ela observando minha vida com um balde de pipocas.
Eu terminei com um namorado, e ela cheia de excitação, veio correndo me perguntar, que diabos, onde está o próximo?
Ela gosta de mim, então adora me ver feliz. Mas quanta emoção em me ver quebrando a cara.
É um sábado à noite, e ela esta cheia de ansiedade a espera das cenas do próximo capítulo.
E eu estou começando a perder a paciência. Vou ficar sentada aqui, olhando pra parede, não vou falar, nem vou fazer nada. Nada acontece na vida se a gente não fizer absolutamente nada. Perfeito, assim estarei segura.
-então hoje não tem matinê?
Você não está perdendo nada, eu disse.
E ela saiu correndo porta a fora, com ares de quem ia contar para alguém.

4 comentários:

Mind disse...

Que tocante seus textos! Um pouco triste, porem tocante.

Posso add seu blog a lista dos meus??

Gostaria de ler mais

Tks

Mind

Daniel Gruber disse...

Adorei Mô!
Tu achou o teu recurso estilístico próprio, e a Juliana começa a despertar muita curiosidade acerca de si.

Beijos.

against disse...

legal eh q eu entendi a história.. xD~~


o nome dos caras aos quais agente n lembrava, ontem, são: james redfield e carlos castaneda, não?


bjo

dantezcoman disse...

Descobri o motivo de eu gostar tanto do teu estilo. Foi lendo esse post que eu lembrei quem ele me lembra: Cleveland Amory.
Não, vc provavelmente não conhece. Ele escreveu um dos livros mais engraçados que eu li, sobre como ele aprendeu a viver, e foi treinado por, um gato.

A juliana lembra o gato do livro, o Urso Polar, mas bem mais apegada, o que prova que ela não é um gato.

=*