domingo, 8 de julho de 2007


Eu estava delirando em febre, mas mesmo assim me preparava para sair. Sai do banho e enrolei uma toalha ao redor do peito como se fosse uma atadura.
Juliana estava sentada na minha frente. Ela me imitava. Uma das pernas dobrada sobre o joelho e a mão direita puxando o cabelo da raiz até a ponta, só que delicadamente. Me observava com atenção. Não sei o que tentava aprender. Acho que na verdade tentava me ensinar como as outras pessoas me viam. Ela copiava meus trejeitos tão bem que por um momento pensei ver sentada ali minha miniatura.

Ela é uma menina pequena e magra. Tem o porte de uma criança de quatro anos, mas a curiosidade de uma de seis. Se esconde muito bem devido ao seu tamanho e é impossível alcança-la quando corre. Suas mãos são duas anarquistazinhas. Ela considera seu corpo um ótimo recipiente por causa da sua praticidade, principalmente quando o veste com pijamas.

Juliana é maravilhosa de tão fantástica. Sua luz sempre me ofuscou.
Ela tem uma vontade de viver já e desesperadamente. Contagiante. Enquanto eu não sei dançar e fotografo muito mal. Enquanto e sou sócia da auto-depreciação e da decepção sou a maior consumidora.

Calcei os sapatos e sai. Tranquei a porta com muito cuidado para não acordar ninguém. Eu não me sentia muito bem. Achei que ia vomitar mas para minha surpresa eram lagrimas. Muitas e muitas e soluçantes.

Cansada de esperar, sento no cordão da calçada e Juliana vem me perguntar:
-Nhami! É bolo de que?

5 comentários:

Daniel Gruber disse...

Eu acho que é bolo de cachorro.

dantezcoman disse...

*abraça*

dantezcoman disse...

eu acho que é bolo de idiota

-Sibyl Vane- disse...


quando a luz ofuscar, ponha óculos escuros =)





o Cronista disse...

olá, primeira vez no teu blog,
nem te digo do que é o blo,
axei ateh q a juliana exite.