domingo, 19 de agosto de 2007

Para Juliana era um dia importante. Eu a deixei incumbida de realizar uma tarefa no mundo real. Ela queria fazer algo que as pessoas normais fazem, que todo mundo faz, até mesmo as loucas, então resolvi dar uma chance.
Se ela quer mesmo saber como é a vida cotidiana vamos começar por algo aborrecedor.
-Hoje você vai ao banco para mim.
Ela ficou muito empolgada. Apareceu na minha casa duas horas antes do combinado, vestindo um terninho preto, as mangas eram muito compridas e escondiam até as pontas dos dedinhos. As calças e os sapatos como eram de se imaginar, também eram grandes demais. Fiquei com medo de perguntar de onde ela tinha desenterrado aquele conjunto.

Entreguei as contas para ela dentro de uma pastinha preta:
-Aqui está: água, luz, telefone...
-E as coisas que você tem sentido ultimamente, não vai pagar?
-Como assim?
Bom, no mundo imaginário, para você sentir isso ou aquilo de maneiras não naturais é preciso pagar.
-Pagar por sentimentos?

Ela tinha razão. Andei me aproveitando demais da tristeza e da decepção, tanto que fiquei devendo.
Excitei-me com o fato de que chegaria a doer pagar aquilo, mas me controlei. Eu estou precisando economizar.

Exigi que ela me apresentasse os recibos (vai que gastasse tudo em balas!)

-Mas e esse valor aqui? Que absurdo, eu não lembro no que foi que eu gastei isso!
-Foi daquele dia em que você se sentiu menos que nada.
“Ah bom”, eu pensei. Sai resmungando sem parar, e Juliana se despediu dizendo:

-E sinta-se agradecida por não te cobrarem a taxa de trouxisse...

4 comentários:

O ANTAGONISTA disse...

Acho que já te escrevi isso, mas vou ser repetitivo: seu blog é sensacional, é lindo, sensível e bem humorado. A cada texto eu gosto mais da Juliana, ele é muito amável, apesar de ser muito crítica também.

Parabéns!

-Sibyl Vane- disse...


Você não pensa em escrever um loivro com estas aventuras da juliana?
Sério! Deveria!! É um papel com a humanidade! heuheuhe

Wagner Sabbado disse...

Bom, seguindo a linha dos elogios...o que tu escreve � forte, no sentido em que a narrativa toca o leitor e o instiga a voltar sempre para ver o que a Juliana tem feito. Entrei aqui v�rias vezes e acho que li tudo, gostei muito. A Juliana, na minha opini�o, � um g�nio em miniatura para os "assuntos da vida", tamb�m com toda a forma�o que ela t�m (Phd), n�o era de se esperar por menos. Gosto muito, tamb�m, da entrega(confian�a) que o narrador d� para a crian�a, isso torna o texto sens�vel, delicado. Bem, as duas est�o de parab�ns!! :)

Guilherme disse...

Bah! esse texto ficou bem legal, Morgana vc sabe que nao entendo muito disso.
Nao gostei muito da ideia de ser cobrado pors entimentos sairia muito caro
e pela trouxisse entao ja teria falido
beijo