sexta-feira, 30 de novembro de 2007

-Ele não te faz feliz, você devia deixá-lo.
Juliana estava sentada ao meu lado depois de muito tempo e estava entretida com a caixinha de lápis de cor que eu havia dado para ela. Olhei para ela em silencio, eu sabia do que ela estava falando. Ela usou aquelas palavras com tanta naturalidade como se as tivesse tirado de dentro de mim.
Esperei que ela dissesse mais alguma coisa ou me desse algum conselho, mas tudo o que fez foi empregar as suas mãozinhas infantis na importante tarefa de continuar desenhando um unicórnio.
Decidi dar uma volta, pois era a única coisa que eu podia fazer. Eu me sentia triste. De fato, o que eu sentia por ele tinha acabado. Eu havia perdido o interesse.
Percebi que não fomos feitos um para o outro e eu sentia como se eu estivesse me divorciando de um casamento que não deu certo.
Meu peito pesava, era a sensação deprimente do fracasso. Fui andando pelos corredores da faculdade quando ouvi a voz de alguém muito querido. Parei para escutar, e aquilo me fez recordar os bons momentos que tivemos juntos. Eu senti lágrimas nos olhos, com certeza eu o havia amado. Mas eu sabia que ele não era a coisa certa para mim.
Com um nó na garganta, eu sabia o que tinha que fazer. Estava pronta para terminar tudo.
Desci as escadas apressadamente. Abri a porta da sala, e esperei até receber a atenção da mocinha de crachá:
-Pois não?
-O que eu tenho que fazer para trocar de curso?