sexta-feira, 16 de maio de 2008

-Me conte algo interessante. – Pedia a minha pequena, enquanto me acompanhava em mais um dia terrível.
Eu esperava o ônibus as 7:30 da manhã. Minhas mãos congeladas seguravam R$ 1,65, o suficiente para pagar a passagem.
-Mas o quê?
-Conte um sonho, sei lá.
Ela conhece todos. Devia estar muito entediada.
-Então vamos brincar! – Sugeriu.
Eu não conseguia pensar em muita coisa. Escondi um de meus brincos na palma da mão.
-O quê eu tenho aqui?
-Não sei o que é, mas com certeza é alguma coisa. – ela bocejava e revirava os olhos. Eu não sou um ser muito interessante.
Não demorou muito para ela tentar adivinhar meus pensamentos. Ela se ocupou daquele exercício por bastante tempo. Eu penso em um idioma estranho e inventado.
Até que notou meus olhos fixos no nada, com um ar de quem sonha.
-Pensando nisso de novo? Por quê?
- Não sei.
Dentro do ônibus, escolho um lugar para sentar e Juliana senta atrás de mim.
Ela ajeita seus óculos escuros de lentes em forma de coração e resmunga seu mau humor matinal.
-Morgana, você nunca foi muito normal.
-Obrigada, Juliana.
-Amigos são pra isso.

3 comentários:

Wagner Sabbado disse...

A juliana fala cada coisa. Muito bom o texto! bjs

Ma disse...

oi! encontrei teu blog por acaso e achei mto legal! a idéia é mto massa! estou linkando no meu blog!

Vitor disse...

pessoas normais são chatas momo.
:P