quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eu estava sentada em um bar, com o cabelo devidamente arrumado de maneira decadente e proposital.
Eu segurava um recorte em que figurava um casal. Através da foto os dois falavam comigo. Respondi com aquele olhar profundo "adeus, me deseje sorte" e chamei a garçonete.

A garota de cabeça de liquidificador veio em minha direção. Apertei o botão em seus lábios. Ela respondeu com um silêncio igual ao zumbido de uma abelha gigante. Se curvou enchendo meu copo de uma bebida quente e amarga. "Assim como eu", pensei.

Bebi satisfeita e ocupava minha mente com imagens adoráveis quando Juliana me interrompeu.
-Telefone pra você.
Era a Realidade. Desliguei na cara dela (Eu estava de muito mau humor).
-Mas ela sente saudades... - Dizia Juliana, tentando me convencer.

Resmungo algo impronunciável. Começo a dançar, seguindo o conteúdo das inúmeras latinhas amassadas jogadas no chão. E encontro o estado de paz perfeito.

No fundo da sala, Juliana fala ao telefone:
-Não se preocupe, ela volta. Ela sempre volta.

2 comentários:

Quel disse...

Adorei o cabeçalho do Blog... Era bem assim que eu imaginava a Juliana...
Beijos, adorei o texto também, surpreendente, como sempre!

Todos os jovens tristes disse...

Parabéns! Este é um dos que mais gostei. Mas quero explicações.