sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Juliana não se sente mais sozinha em seu mundo desde que ganhou uma gata de estimação. Talvez por isso já não me procure tanto. O animalzinho apareceu dia desses ronronando em frente à sua porta.
– Já é velha – dizia Juliana, enquanto a gatinha branca se enroscava entre minhas pernas pedindo carinho –, tem uns bigodes faltando, o que a deixa meio desorientada, mas ainda é uma ótima caçadora.
– Qual o nome dela?
– Não sei, ela não me disse – sussurrou, erguendo os ombrinhos.
Os olhos da gatinha brilhavam num azul piscina fascinante enquanto ela levava suas patinhas ao ar tentando agarrar borboletas.
– Ela parece quietinha, mas é uma grande contadora de histórias – disse Juliana.
– Eu gostaria muito de ouvi-las.
Percebendo que falávamos dela, a gatinha respondeu:
– Miau.
Ficamos sentadas a imaginar, já que não podíamos ouvi-la. E matamos o tempo na varanda, saboreando o gosto maravilhoso do nada.