sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Juliana não se sente mais sozinha em seu mundo desde que ganhou uma gata de estimação. Talvez por isso já não me procure tanto. O animalzinho apareceu dia desses ronronando em frente à sua porta.
– Já é velha – dizia Juliana, enquanto a gatinha branca se enroscava entre minhas pernas pedindo carinho –, tem uns bigodes faltando, o que a deixa meio desorientada, mas ainda é uma ótima caçadora.
– Qual o nome dela?
– Não sei, ela não me disse – sussurrou, erguendo os ombrinhos.
Os olhos da gatinha brilhavam num azul piscina fascinante enquanto ela levava suas patinhas ao ar tentando agarrar borboletas.
– Ela parece quietinha, mas é uma grande contadora de histórias – disse Juliana.
– Eu gostaria muito de ouvi-las.
Percebendo que falávamos dela, a gatinha respondeu:
– Miau.
Ficamos sentadas a imaginar, já que não podíamos ouvi-la. E matamos o tempo na varanda, saboreando o gosto maravilhoso do nada.

3 comentários:

ThunderbolT disse...

É, eu fico tentawndo imaginar o que o gato da minha irmã fica miando para ver se faz sentido ou não. Ela me responde "ele quer carinho, claro! Não é óbvio?", e eu fico com cara de interrogação. Acho que nesse momento eu deveria fazer "miau" também, ou mesmo "quack", já que se eu soubesse miaus, conseguiria conversar com gatos. Conversa de doido. =P

Raquel disse...

Tenho uma cadelinha, e ela fala sim, mas com os olhos... Entendo tudo que ela quer me dizer, é incrível... Se nos deixarmos aprender com os bichinhos, nos daremos conta que eles têm tanto pra nos ensinar...

Lindo texto, como sempre!
Beijos!

André Lima disse...

Raquel, eu acredito!
Não é para ser engraçado: minha tartaruga também se comunica comigo. Disseram-me uma vez que os répteis não interagem, besteira, a gente só precisa afinar um tipo de sensibilidade. Juliana e Morgana, pelo jeito são mestres nisso.