quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Era um dia pensativo no mundo imaginário. Desses em que até Juliana que é avessa a essa coisa de pensar, estava pensando. Precisávamos esvaziar a cabeça. Saímos para caminhar. Caminhamos e caminhamos até ela precisar comprar sapatos novos. Juliana lamentou por ser sozinha no mundo. E para mim ela podia desabafar:
-A vida não é nada econômica quando se tem que criar a si mesmo...
Eu também não tinha muito dinheiro, mas o dó que eu sentia por ela valia cada centavo.
-Vou te dar um par desses de presente. - E apontei para os sapatos prateados que se exibiam para nós em uma vitrine. Ela entrou na loja dando pequenos pulinhos de felicidade e em seguida a vendedora buscava os sapatos para que ela os experimentasse. Diferente de mim que escolho as coisas pela beleza, Juliana os escolhia pela praticidade:
-E o que eles fazem? - Perguntou.
-Ah, esses vão te levar de volta pra casa. - Respondeu a vendedora, recebendo em troca um sorriso de aprovação.
Fomos embora. Juliana carregava a caixa nos braços, feliz como uma mulher quando compra alguma coisa.
-Obrigada pelo presente. - Ela disse. E em resposta ao meu olhar saudoso ela completou:
-É uma pena que não tinha o seu número.