segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A angustia do puxa-puxa em sua boca me dava nos nervos.
A convivência com Juliana me habituara a personificar todas as coisas.
E não ajudava nada o fato de ela repetir o tempo todo: “Ele não é saboroso!?”
Ela abriu um ligeiro sorriso com a metade da boca desocupada, tentando segurar a saliva.
Tratei de afastar o pensamento compadecido. Há essa hora o doce já estaria em seus suspiros finais.
Ela lambeu as pontas dos dedinhos melados como uma selvagem. Eu estava horrorizada.
- Acabou a carnificina por hoje?
Ela ameaçava um “sim”, quando uma musiquinha macabra de tão feliz cruzava a esquina.
Com os olhos arregalados de excitação ela pulou do sofá.
- O Sorveteiro!