domingo, 21 de março de 2010

Eu apertava a cabeça com força contra o travesseiro, esperando ser capaz de atravessá-lo e voltar para o mundo dos sonhos.
Mas era tarde demais, Juliana já tinha acordado.
Ela estava de pé em frente a minha cama. Numa das mãos os dedos lutavam para segurar um punhado de canetinhas coloridas. Na outra ela tinha um bloco com folhas brancas.
– Faz um desenho pra mim.
Eu sentei na cama e comecei a rabiscar. Era uma casa no lago.
Amassei a folha de papel e atirei na cesta de lixo.
– Eu também não gostei desse – ela disse.
Ela estava parada atrás de mim, movendo a cabeça em sincronia com a minha mão.
O olhar de Juliana para meu desenho seguinte era de aprovação. Era uma jovem bonita de chapéu. Mas o rosto dela envelheceu em segundos, no exato momento em que eu decidi descartá-la.
Meu quarto se tornou um campo de bolas de papel, até que finalmente eu me senti inspirada e desenhava algo com satisfação. Juliana esperava ansiosa.
Eu terminei o desenho.
– Esse ficou bom! – ela disse.
Eu fiquei um bom tempo olhando pra ele. Então juntei as minhas mãos e o rasguei.
O previsível fez os olhos de Juliana darem voltinhas:
– Você não consegue evitar, né?

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