segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ela não gostou nada, nem um pouco. Se tivesse gostado, a fadinha não estaria presa dentro de um copo virado de cabeça para baixo em cima da mesa.
Ela olhou pra mim com um olhar que dizia “estranho”. Uma menina imaginária olhava pra mim, não acreditando, e isso não poderia ser bom. Não demorou muito para eu perceber que o que a deixava de tal maneira não era o absurdo, e sim a decepção.
Eu balancei a cabeça. Não tinha nada que eu pudesse dizer. Eu não sei dirigir a minha imaginação. Não tenho controle.
Resmungando, Juliana soltou a fada que eu tinha imaginado e deixou que ela voasse para bem longe:
-Ela não é nem do meu tamanho!

- Precisamos de outras crianças.
Juliana falou, com uma intuição metódica, sem reflexão alguma e cheia de reclamações implícitas.
- Para quê? Eu perguntei.
- Pois eu preciso brincar! Ela disse.
E com um olhar acusatório ela aponta em minha direção o dedinho que escreve no ar: “De-que-me-adianta-uma-louca-improdutiva?!”
Obediente e meditativa, eu procuro lá no fundo o botão que me conecta com a minha imaginação. Mas logo me desconcentro com a voz alterada e exigente de uma Juliana em empolgação:
- Eu quero cinco ou seis... E meninas!

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