sábado, 16 de abril de 2011

Eu queria terminar um trabalho para a aula, mas os diálogos imaginários em minha cabeça não calavam a boca.
Juliana estava sentada no sofá me observando.
-Fica na tua... – Eu disse (muito educadamente)
- Sem problema, não vou me meter. – Ela disse (muito compreensiva).
Eu fingia para mim mesma que estava lendo.
As contrações faciais indicavam uma concentração convincente.

Mas meu cérebro era como um salão lotado de pessoas tagarelando sobre uma novidade extraordinária (volta e meia mastigando a azeitona do copo de Martini) sem nunca chegar a um consenso.
De repente uma mulher em preto e branco vestindo roupas dos anos vinte se virou pra mim:
- E então, como vai ser?
Um homem, tirando o chapéu, foi se juntar a ela:
-Sim! Qual será o resultado?
Eu respirei fundo e fechei as portas. Lá dentro agora tocava uma música animada e mulheres dançavam e rodopiavam dando gritinhos.

De volta ao silêncio do mundo exterior, eu continuei a digitar pensando na data de entrega do trabalho, na aula de segunda-feira e no que a professora iria pensar e todas essas preocupações que me trazem paz simplesmente por não terem tanta importância.

É uma pena que nunca conseguimos nos controlar por tanto tempo. Eu olho para Juliana e ela olha para mim, iniciando novamente o velho debate.
- Mas, e se...

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