Juliana escovava meu cabelo, pois eu não tinha vontade.
Ela fazia e desfazia uma porção de penteados cheia de inspiração, e eu sem.
Eu sem qualquer coisa.
- Prefiro o seu cabelo assim - Ela dizia, cercando a minha cabeça com presilhas.
- Eu me sinto infantil - Eu disse, me olhando no espelho.
Era certo que Juliana passaria em meus lábios um batom vermelho-gritante.
(Mesmo que eu não quisesse).
Então fugi e deitei na cama em silêncio, fazendo de conta que dormia.
Fazendo de conta que se eu ficasse bastante tempo ali o lençol me engoliria.
E eu não precisaria brincar de mais nada.
Mas uma criança não se deixa enganar. Sentada a meus pés, ela lamentava:
- Você não quer mais. Você enjoou.
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