sexta-feira, 29 de abril de 2011

Juliana escovava meu cabelo, pois eu não tinha vontade.
Ela fazia e desfazia uma porção de penteados cheia de inspiração, e eu sem.
Eu sem qualquer coisa.
- Prefiro o seu cabelo assim - Ela dizia, cercando a minha cabeça com presilhas.
- Eu me sinto infantil - Eu disse, me olhando no espelho.
Era certo que Juliana passaria em meus lábios um batom vermelho-gritante.
(Mesmo que eu não quisesse).
Então fugi e deitei na cama em silêncio, fazendo de conta que dormia.
Fazendo de conta que se eu ficasse bastante tempo ali o lençol me engoliria.
E eu não precisaria brincar de mais nada.
Mas uma criança não se deixa enganar. Sentada a meus pés, ela lamentava:
- Você não quer mais. Você enjoou.

Um comentário:

adaline disse...

Oi, Morgana! Adorei os teus textos.Tu tens o dom, parabéns. Acredito que escrever é uma das artes mais difíceis. Não sou uma "crítica" literária, mas gosto de ler e sei do que gosto. Gostei mto do que escrevestes; são simples e poéticos.