sábado, 9 de abril de 2011

Sofro periodicamente da síndrome de dedos inquietos (Eles querem digitar o tempo inteiro).
- Esqueçam, não temos nada para dizer. – Juliana estava de costas pra mim assistindo algum canal de desenho.
A expressão das minhas unhas era a de quem quer escrever uma carta para a pessoa amada. Me comoveu.
- Mas Juliana, olhe pra elas?
O esmalte vagabundo fazia caras e bocas.
Eu implorei. Juliana admitiu que parecia promissor. Da maneira como Eles se debatiam parecia que dali sairia um soneto ou talvez um forte romance.
Mas, aguardamos pacientemente e tudo o que ganhamos foi esse texto...
Juliana voltou a ligar a TV resmungando.
- Você ainda cai nessa?

Um comentário:

Gabriela Machado disse...

Este teu texto me lembrou um poema que gosto muito por entender(sentir) exatamente o que ele sentiu....a acho que deves saber também. Ai vai

"Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira."

Carlos Drummond de Andrade