terça-feira, 5 de julho de 2011

Juliana encontrou um sapo. Seus olhos foram roubados por um gato, por isso ele não enxerga muito bem. E é por isso também que ele é meio paranóico. Constantemente ele jura estar sendo atacado. É meio arisco, mas é de estimação agora.
Dia desses, nós passeávamos com ele numa linda coleirinha de cetim, quando demos de cara com uma criança (uma criança real).
- Oi – Ela disse. E então Juliana também disse “oi” e eu fiquei parada assistindo aquele entrosamento. Tão parada que comecei a levitar para longe como um balão.
Elas não precisavam de mim. A imaginação de Juliana dava conta de tudo.
Quando meu balão de alienação acidental explodiu no céu, voltei com os pés para o gramado lamacento, e dei de cara com a criança real, que sorria, que doía, que sonhava, que precisava de um guia, e que me apavorou. Ela segurava o sapo no colo (contrariado, mas maquiado como uma bonequinha).
Juliana, a criança, e o sapo partiram em suas brincadeiras. Eu fiquei me perguntando o que deveria fazer. Juliana se virou para mim e disse:
- Agora nós vamos salvá-lo.
Ela o colocou no chão, desatou o nó e o sapo se foi, nadando riozinho abaixo, como um cachorrinho.