terça-feira, 5 de julho de 2011

Juliana encontrou um sapo. Seus olhos foram roubados por um gato, por isso ele não enxerga muito bem. E é por isso também que ele é meio paranóico. Constantemente ele jura estar sendo atacado. É meio arisco, mas é de estimação agora.
Dia desses, nós passeávamos com ele numa linda coleirinha de cetim, quando demos de cara com uma criança (uma criança real).
- Oi – Ela disse. E então Juliana também disse “oi” e eu fiquei parada assistindo aquele entrosamento. Tão parada que comecei a levitar para longe como um balão.
Elas não precisavam de mim. A imaginação de Juliana dava conta de tudo.
Quando meu balão de alienação acidental explodiu no céu, voltei com os pés para o gramado lamacento, e dei de cara com a criança real, que sorria, que doía, que sonhava, que precisava de um guia, e que me apavorou. Ela segurava o sapo no colo (contrariado, mas maquiado como uma bonequinha).
Juliana, a criança, e o sapo partiram em suas brincadeiras. Eu fiquei me perguntando o que deveria fazer. Juliana se virou para mim e disse:
- Agora nós vamos salvá-lo.
Ela o colocou no chão, desatou o nó e o sapo se foi, nadando riozinho abaixo, como um cachorrinho.

3 comentários:

Wagner Sabbado da Rosa disse...

oi morgana; poxa que poético e viajandão! O teu contato com as crianças esta criando joinhas literarias!

Eva disse...

oi morgana querida,gostei que o blog tenha te inspirado. Seja super bem vinda e volte sempre!Achei o teu texto muito poético e de uma sensibilidade fina. Beijos!

Fausto Somáli disse...

Olá. Acabei caindo no seu blog numa pesquisa no Google. Gostei muito dos seus textos, parabéns!

Em um dos textos, você descreveu sua mente como um salão cheio de pessoas tagarelando. Me sinto exatamente dessa forma.

Na verdade eu descrevo minha mente como um multiverso com sequências de possibilidades infinitas. Como se os vários universos estivessem em ramos de árvores e continuamente avançando no tempo, um atrás do outro.

Parabéns novamente e um abraço.